O que você expõe em suas paredes?

Talvez aquilo que você considera fraqueza, seja o que te diferencia.

É engraçado como o que é importante pra gente vai se modificando e como precisamos de tempos em tempos revisitar o que ainda faz sentido em nossa vida.

 

Quando comecei a decorar minha casa, minha prioridade era comprar móveis, equipamentos e utensílios. Enquanto isso, nas paredes da casa toda, havia apenas um único quadro que ficava na sala, que não fazia sentido algum, não combinava com nada, mas estava ali, apenas preenchendo um vazio que nos incomodava.

 

Adoro arte, mas não me via pendurando réplicas dos quadros que admiro, nem era prioridade investir em quadros autorais. Eu sonhava apenas em manter um ambiente clean, organizado, onde tudo tinha seu lugar.

 

Aí veio a maternidade e, com ela, a preocupação com as quinas, as plantas nos vasos, as tomadas à mostra, e aquele apartamento todo hermético foi se desconfigurando. Os rabiscos começaram a aparecer e o caos foi se instalando aos poucos. Onde antes eu enxergava uma parede limpa, minha filha via uma tela em branco.

 

Lutei por um tempo para manter a casa ‘em ordem’, mas a chegada da pandemia e minha pequena ganhando cada vez mais autonomia, intensificou a produção dela e a minha agonia.

 

De repente, começaram a aparecer novas obras nas paredes. Desenhos colados com muito orgulho, sempre acompanhados de um sorriso cheio de expectativas. E como na época ninguém recebia visitas, fomos deixando.

 

Quando a vida voltou a normalizar e ela retornou à escola, as paredes voltaram a respirar, mas o desejo dela de compartilhar os avanços que fazia se manteve.

 

Confesso que por um tempo, quando alguém chegava à porta ou recebíamos alguma visita, eu temia que as pessoas considerassem desleixo de nossa parte. Mas vendo como as pessoas interagiam com estas obras e como elas traziam à tona as histórias de cada uma delas, percebi que nenhum outro quadro poderia representar tão bem nossa família.

 

Ainda hoje, as únicas obras em minhas paredes são os quadros da Gigi (não são muitos). Eles me lembram constantemente que aqui em casa, existe uma criança que vive as fases mais mágicas da vida e que elas passam rápido demais.

 

Eles me lembram que o que fez desta casa a nossa casa não é a perfeição que eu buscava, mas o espaço ao aprendizado e o acolhimento às mudanças que fizeram e fazem parte da nossa vida. As paredes da nossa casa contam a nossa história: não a família do comercial de margarina, mas uma que aprende e se expressa, independentemente dos modismos lá fora.

 

Hoje, enquanto pensava sobre como tangibilizar o tema da autenticidade na comunicação empresarial, me peguei observando um dos quadrinhos na parede.

 

Muitos negócios, assim como eu no passado, ainda sem saber muito bem o que mostrar, se preocupam em preencher esse vazio com qualquer coisa, replicando o que está na moda, buscando a perfeição, o feed impecável, a fórmula infalível… um tom de voz que, no fundo, não é realmente seu. Ou pelo menos, não ainda.

 

Tentamos manter tudo “em ordem”, temendo o que os outros vão pensar dos nossos “rabiscos”. Mas é justamente aí que está a riqueza da nossa jornada, são estas as histórias que criam conexão e comunicam o que sua marca representa.

 

Não é fácil fazer isso, exige maturidade e autoestima forte para lidar com as críticas – às de terceiros, e principalmente as nossas próprias. Estas últimas as mais ferozes.

 

Mas quer saber de uma coisa?

 

É libertador!

 

E por aí? O que as suas paredes contam sobre você?

Essa história é um reflexo de como entendo a comunicação, tanto na vida pessoal quanto no trabalho. Sou Eveline, fundadora da Ahá, e acredito que ser autêntico, mesmo diante das críticas, é o que verdadeiramente conecta marcas às pessoas.

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